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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Saúde, médicos, doentes e hospitais


Os médicos com os seus sindicatos e Ordem, o prestígio junto da população, são ainda o grupo profissional mais poderoso do país. O povo sente a sua saúde e longevidade dependente desta classe e dá-lhe toda a reverência.
Os médicos têm direito à greve, mas uma greve destes homens e mulheres é cruel nas suas consequências - imagine-se alguém internado que não é operado por falta de médico... Os clínicos só deveriam recorrer à greve em último caso. 
Contudo aproxima-se o fim da elite medica, no que concerne a influência política. Em breve, a saída das faculdades de milhares de médicos que se estão agora a formar vão aumentar em muito o seu número e, finalmente, vai haver médicos a mais. Nesse tempo, próximo, vamos assistir a um recuo da grande influência, para muitos quase divina, dos médicos face aos poderes democráticos. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

De Físicos a Médicos


Os médicos, que já não são os únicos académicos nos hospitais, deverão perder algum poder para enfermeiros e outros técnicos de saúde, à semelhança do que acontece noutros países ocidentais.
Quanto à escolha dos medicamentos, se são todos iguais, porque há-de o clínico ter a última palavra na escolha comercial da droga? Deverá responsabilizar-se apenas pela escolha da molécula e dosagem, mas deverá ser o utente a escolher a marca a adquirir.
Por último, os médicos devem perceber que a luta que travam há décadas contra o fim do seu direito de escolher a marca comercial dos medicamentos, ao mesmo tempo que se sabe de grandes passeios, denominados como congressos, pagos pelas farmacêuticas e abastadas lembranças de doentes, principalmente no Natal, estão a corromper o seu prestígio. A Ordem respectiva deveria por fim a essas práticas. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Reformas na Saúde



A situação a que chegamos é de pré-ruína ou pré-bancarrota. E com uma situação destas não se brinca. Deste modo, a controvérsia sobre quem é o responsável pela nossa desgraça já está ultrapassada e discuti-la é perder tempo.
Por outro lado, temos um Governo composto por técnicos credíveis e que deixaram lugares bem pagos para tentarem ajudar o país. Não temos alternativa, diria mesmo que este executivo é a nosso única esperança. Portanto, vir dizer, sem esperar pelos resultados, que a politica seguida nos vai destruir é um absurdo e próprio de alguém que sente adrenalina com as crises politicas ou vive delas.
Vejamos o caso da saúde.
Com um passivo gigantesco, o Serviço Nacional de Saúde será uma miragem a prazo se não actuarmos energicamente. Apesar disso há quem diga que o Governo o quer destruir ao pretender travar o descalabro financeiro. Paulo Macedo explicou na TVI que quer salvar o sistema de saúde público português reduzindo os custos e que só assim o poderemos manter.
Apenas controlando os gastos em exames, medicamentos, transporte de doentes, pagamentos extra aos funcionários dos hospitais estaremos no caminho da solvência. Se houver coragem, o Estado só deverá pagar a saúde na íntegra somente aos mais pobres. Os restantes terão de desembolsar algum pagamento, progressivamente mais alto conforme os seus rendimentos (os rendimentos de cada um serão, como é lógico, determinados tendo em conta o número de dependentes de cada família).
Há ainda duas classes de portugueses que merecem alguma atenção: os hipocondríacos e os doentes crónicos. Os primeiros obrigam o médico de família a fazer todos os exames necessários para verificar a razão de queixa imaginária. Sobre estes casos nocivos deve ser ponderada uma forte penalização pecuniária. Caso se comprove a fraude, o hipocondríaco deverá pagar na íntegra toda a despesa desnecessária que causou.
Quanto aos doentes crónicos, portadores de doença sem cura, nomeadamente oncológicas, devemos ter algum cuidado nas medidas a adoptar. Há dias ouvi que os medicamentos a fornecer seriam sempre os mais baratos. Ora, no caso da oncologia, mais barato pode significar menos eficácia no tratamento e um muito maior sofrimento para o doente. Sendo assim, no caso destes doentes, não obstante também lhes poder ser exigível um pagamento, caso possam, as medidas a adoptar devem ser alvo de muita ponderação.
É claro que o Serviço Nacional de Saúde deveria ser totalmente gratuito, para isso servem os nossos impostos. Mas como não há possibilidades para isso num país quase arruinado, teremos de ser realistas.