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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Gaspar, vocalista peculiar


Vivemos tempos em que o silêncio se impõe. O que adianta explicar a um esfomeado que não pode comer porque não há dinheiro para lhe pagar a refeição? Ou como consolar um ex cidadão de classe média que tinha tudo e que hoje conta os trocos para poder alimentar-se? É perda de tempo, por mais racionais que sejam os argumentos eles não são entendidos ou aceites.
Gaspar tem uma sequência vocal peculiar. Há quem encontre cinismo, ou autismo ou mesmo provocação no modo de expressão oral do Ministro. Ora, num tempo em que o silêncio se impõe, falar de forma excêntrica é uma excelente maneira de perder a cara.
Gaspar tem tudo para se queimar ainda mais rápido que Cadilhe.
Ciente destes seus obstáculos, defende-se. Nunca falou numa esquina pública, num corredor obscuro ou numa escadaria de mau aspecto. Fala sempre de forma institucional evitando assim parangonas desgastantes, as tais que vão queimando em lume brando o 1º Ministro. Portas com a sua experiência, sabe bem disso e está confortável no seu canto.
Mas o economista cometeu o erro, não se sabe bem porquê, de insistir em elaborar previsões baseado em folhas de cálculo de gabinete. E garantiu infalibilidade académica a um exercício que, retirando alguma complexidade, tem tanto de infalível  com as previsões da astrologia. Gaspar deveria ter dito que em tempo de bancarrota não se fazem previsões, apenas se espera pelo melhor.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Propostas precisam-se


1) O PCP (através da CGTP) apresentou já algumas propostas como a criação de uma taxa sobre as transacções financeiras; introdução de progressividade no IRC; sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos; combate à fraude e à evasão fiscal. São medidas fantasiosas porque, se aplicadas, de imediato o capital fugiria para outras paragens. A última é genérica e apenas um chavão.
2) O Bloco de Esquerda, através da ansiosa Catarina, uma das cabeças da bicéfala liderança legada pelo abade Louçã, informou que o inimigo é a troika e deveremos rasgar o memorando. Assim, segundo o BE, estariam todos os nossos problemas resolvidos. Por lapso, não disse a rapariga o que faríamos de seguida, embora se saiba que, caso o BE mandasse, teríamos um 2º PREC para desgraçar o que resta da nossa economia, mas para gáudio da senil brigada do reumático anti-fascista que ainda vegeta.
4) Por fim o PS. Após a anedótica técnica de fuga de responsabilidade aos cortes de 4 mil milhões, não há muito a esperar de Seguro e seus pares. Eles vão gritando umas medidas demagógicas do género das do PCP/CGTP e limitam-se a querer o crescimento económico, como se fossem os únicos. Só que nunca dizem como.
Perante este cenário de alternativa folclórica por parte da oposição, só nos restam as propostas realistas de Passos/Portas, liderados pelo obstinado Gaspar, que tanto sofrimento causam no nosso povo mas que são a correcção possível dos crimes políticos da desastrosa governação do execrando Sócrates.
Esperemos por melhores dias.